Pais e Professores
A Revolução dos Hormônios
Roberto Wüsthof
Na idade em que a infância começa a morrer, também
morrem as conexões entre as células nervosas
no cérebro. E justamente essa morte abre novos horizontes
mentais aos jovens, fascina os cientistas e provoca efeitos cognitivos
que dão aos jovens a sensação de força
e liberdade, que tira o sossego dos adultos. Essa fase de alta irascibilidade,
cheia de birras e chiliques dos adolescentes, era atribuída
até bem pouco tempo atrás exclusivamente à
cascata de hormônios sexuais que circula por todo o organismo
e influencia até o cérebro. Mais recentemente, descobriu-se
que, em parte, esse comportamento imprevisível surge também
em decorrência de uma das mais profundas transformações
na massa encefálica a que as pessoas são submetidas
em toda a vida. No decorrer da adolescência, o cérebro
se modifica tanto ou mais do que nos primeiros meses de vida do
bebê.
“Durante a puberdade, ocorre uma verdadeira reconstrução
do cérebro”, dia Sérgio Ojeda, diretor da divisão
de neurociência do Centro Nacional dos Primatas, situado no
Estado americano do Oregon. Ainda não se sabe por que com
a chegada da puberdade metade das conexões eletroquímicas
do cérebro é desfeita para ser refeita de modo diferente.
Mas essa desmontagem ocorre e pode ser medida. Pesquisadores chegaram
a essa conclusão analisando o microscópio eletrônico
cérebros de adolescentes mortos em acidentes. Eles estudaram
principalmente as chamadas conexões sinápticas, ou
sinapses. O achado causou perplexidade, já que é pelas
sinapses que os neurônios se comunicam. Trata-se da região
da célula em que im de seus “tentáculos”
encosta-se ao outro, jorrando neurotransmissores para passar uma
mensagem adiante. É o processo básico do funcionamento
cerebral de que dependem as emoções e o pensamento
lógico.
Os cientistas supõem que muitas dessas conexões
são supérfluas. Que não exista uma “conversa
séria” entre todos os neurônios. Na puberdade,
quando o corpo se torna adulto, chegaria o momento de racionalizar
o funcionamento cerebral. Ou seja, as conexões mais vitais
para a vida adulta se reforçam e as que podem prejudicar
o comportamento maduro desaparecem. O hormônio sexual feminino,
o estrógeno, tem papel importante na remodelação
cerebral nesse período da vida. “No caso dos meninos
é também o estrógeno, que eles sintetizam a
partir da testosterona, que desencadeia a reforma no cérebro”,
afirma Ojeda. Ao mesmo tempo que os hormônios comandam os
impulsos sexuais e provocam um rebuliço afetivo, são
essas moléculas que com o passar do tempo botam ordem nos
circuitos neuroniais.
No entanto, até o momento em que as áreas cerebrais
de processamento emocional deixam de ser um “canteiro de obras”,
prevalece a típica vulnerabilidade dos humores. Com o passar
do tempo, porém, o cérebro se modifica, transformando
rebeldes em caretas. Durante a maturação cerebral,
células especializadas produzem a mielina, uma substancia
gordurosa e isolante. Ela envolve os neurônios como o plástico
de um fio elétrico, tornando seu funcionamento mais eficiente
e estabelecendo para o resto da vida as novas vias neuroniais. Enquanto
esse processo não estiver concluído – e isso
ocorre ao redor dos 20 anos de idade -, encarar situações
inusitadas,pessoas com opiniões diferentes ou sentimentos
novos pode levar o adolescente ao tão típico e, até
pouco tempo atrás, inexplicável curto-circuito emocional.
Roberto Wüsthof – Medico endocrinologista
Comentário do site: Se só por volta dos 20 anos,
como afirma o renomado articulista, estamos maduros e conscientes
para tomarmos decisões seguras, como exigir de um jovem de
17 anos que ele decida qual curso deve seguir em uma universidade.
O aluno, se possível, deve passar por outras experiências
além da escola, uma das melhores seria um ano em um intercambio
cultural em outro país. O ganho de maturidade é fantástico.
Todos os nossos alunos que foram para intercambio cultural e posteriormente
prestaram vestibular, passaram em uma universidade pública.
Coincidência ou não, não houveram exceções.
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