Guia de Profissões

O Mestre Pierre Hayashida ensina a arte do sushi para o aluno
Ayrton Bagni na Academia de Culinária do Colégio Integrado
Jaó.
Gastronomia: uma profissão cada vez mais valorizada.
Eles vivem de avental e galocha, cultuam o chef catalão
Ferran Adrià e freqüentam restaurantes com olhar de
especialista. Adoram cozinha e não conseguem ficar muito
tempo longe dela – ainda que quisessem. "Virei cozinheira
oficial dos amigos e da família", diz Juliana Victoriano,
24 anos, mestre em sushis e representante típica de uma nova
geração de estudantes. Eles vão à faculdade
estudar gastronomia, curso de dois anos de duração
que, desde 1999, dá diploma de ensino superior. Em meio a
tantas outras, essa graduação passou a chamar atenção
pelo surpreendente aumento de matrículas. De uma lista de
423 cursos universitários, a gastronomia está entre
os dez em que a procura mais cresceu nos últimos cinco anos.
Segundo o novo levantamento com base em estatísticas do Ministério
da Educação (MEC), entre as faculdades mais recentes
ela é, de longe, a que mais atrai novos alunos: só
no ano passado, o número subiu 85%. O que motiva tantos jovens
a fazer essa escolha diante de tanta opção? Além
de algum apreço à culinária e uma alta tolerância
às mazelas da cozinha, eles seguem esse caminho respaldados
por um dado bastante promissor sobre o mercado: 98% dos alunos se
formam com emprego garantido – muitos deles com mais de uma
oferta de trabalho. Um contraste em relação à
média dos cursos superiores, nos quais o porcentual de estudantes
que recebem propostas às vésperas da formatura não
chega a 50%.
Tornar-se um chef de cozinha não é tão fácil
nem propriamente glamouroso, como revela a experiência desses
jovens. O salário inicial de um auxiliar de cozinha gira
em torno de 1.000 reais e as funções incluem lavar
verduras e cortar carnes até altas horas da madrugada –
tarefa que resultou em uma coleção de pequenos cortes
nas mãos já calejadas do estudante Fernando Campana,
19 anos. O currículo do rapaz surpreende pelo ecletismo.
Depois de estudar seis meses de engenharia mecânica, Fernando
tomou coragem de abandonar tudo e matriculou-se no curso de gastronomia
do Senac. Ele explica: "Eu me divirto mais com cozinha do que
com engenharia e ainda posso ganhar dinheiro assim". Um dos
objetivos desses estudantes é chegar a chef de cozinha num
bom restaurante, onde se pagam os melhores salários. O curso
não é decisivo para que consigam o posto, mas funciona
como porta de entrada. Embora em alguns dos melhores restaurantes
do país os chefs não tenham passado pela sala de aula,
nos escalões mais baixos eles começam a ser numerosos.
A maioria entra como estagiário, depois de sobreviver a competições
semelhantes às de uma grande empresa. No princípio,
chamam atenção pela falta de destreza na execução
de tarefas fundamentais. Diz o chef francês Erick Jacquin,
que contratou seis deles: "A faculdade dá apenas as
noções básicas. É só na prática
que os estudantes aprendem a cozinhar de verdade".
Muitos também procuram os cursos de gastronomia sonhando
abrir um restaurante. Estão impulsionados pelos bons números
da economia. Esse é um mercado que cresce, em média,
15% ao ano. Fenômeno típico de países em que
a renda aumenta e as pessoas passam a comer fora de casa com mais
freqüência. No Brasil, 26% do orçamento gasto
com alimentação é usado em restaurantes. E
o número tende a aumentar. Para se ter uma idéia,
nos Estados Unidos esse porcentual já é de 47%. Mesmo
com um cenário favorável, só ficam de pé
os negócios bem administrados – e é aí
que a faculdade pode fazer alguma diferença. O que a distingue
de qualquer outro curso de culinária, afinal, são
aulas nas quais os alunos aprendem noções básicas
de contabilidade, logística e marketing, fundamentais para
quem começa um negócio do zero pela primeira vez na
vida.
O interesse despertado por essas faculdades (inclusive entre jovens
que mal sabiam fritar um ovo) se deve ainda a um novo status conferido
à gastronomia no país ao longo das últimas
três décadas. Panelas e jogos de facas deixaram de
ser associados a uma tarefa enfadonha delegada às donas-de-casa
para se tornar objetos de desejo e diversão pelos quais se
pagam fortunas. O ganho de prestígio da cozinha começou
com a chegada ao Brasil de chefs franceses como Claude Troisgros
e Laurent Suaudeau, pupilos de Paul Bocuse, este alçado à
condição de gênio da espécie. Sob influência
deles, as receitas ficaram mais sofisticadas e as pessoas passaram
a cultivar o hábito de comer bem. Foi também decisiva
a abertura do mercado brasileiro para artigos importados (e as trufas,
os queijos e as ervas finas que se seguiram a isso). A culinária
chique se tornou mais acessível – e gente como a paulista
Aparecida de Lima começou a desenvolver gosto pela coisa.
Aos 49 anos, ela, que já tem diploma de filosofia, ingressou
na faculdade de gastronomia em busca de uma nova ocupação.
A filósofa resume o estado de espírito de seus colegas:
"Quero criar pratos e aprender receitas sofisticadas. Feijão
com arroz, nem pensar".
Com reportagem de Milena Emilião
Mais vagas no Oriente aos estudantes brasileiros
30 de Julho de 2008
Estudantes brasileiros que têm interesse em realizar graduação
ou pós na Ásia ou na Europa podem ter seu caminho
facilitado. Japão e Rússia deram passos importantes
nesta terça-feira para incentivar o ingresso de estrangeiros
em suas universidades – no caso dos russos, o programa é
diretamente voltado a brasileiros.
A Aliança Russa de Ensino Superior, que representa oficialmente
as instituições daquele país no Brasil, oferece
100 vagas de graduação e pós até o próximo
dia 8. Mais informações podem ser obtidas pelo site
www.aliancarussa.com.br.
As graduações oferecidas são: medicina, direito,
engenharia aeroespacial, relações internacionais e
engenharia em exploração de gás e petróleo.
Os cursos são parcialmente subsidiados pelo governo russo.
Os interessados passarão por um processo seletivo a cargo
da universidade escolhida e administrado pela Aliança Russa.
A avaliação inclui reunião com os pais, análise
de histórico escolar, exames de saúde e toxicológicos
e checagem de antecedentes criminais.
A Aliança Russa já intermediou a ida de 270 brasileiros
para essas universidades. A partir de 2010, os diplomas dessas escolas
passarão a ser reconhecidos também pela União
Européia.
Japão - O governo japonês, por sua
vez, apresentou um plano que pretende ampliar de 120.000 para 300.000
o número de vagas disponíveis para estrangeiros em
universidades do país até 2020 – o que garantiria
uma média de 25.000 novos alunos ao ano. O projeto envolve
seis ministérios: Educação, Cultura, Esporte,
Ciência, Relações Exteriores e Justiça.
Falta agora a aprovação orçamentária.
Caberá às pastas ministeriais resolver empecilhos
à entrada de estrangeiros. Isso inclui criar facilidades
econômicas e normativas, como emissão de vistos.
Também fazem parte do projeto medidas de apoio à
inserção dos estudantes no mercado japonês.
Além disso, 30 universidades do país receberão
orientações especiais de Tóquio para facilitar
a adaptação dos novos alunos. Elas deverão
também colaborar com a hospedagem.
Em ambos os casos, quem não fala a língua local não
deve se preocupar. As universidades que receberão os brasileiros
cuidarão do ensino do japonês ou russo, dependendo
da escolha do estudante.
HARVARD FICOU MAIS PERTO
Não há nada de novo no fato de tais universidades
aprovarem estudantes de desempenho exemplar. O que mudou foi o foco
nos estrangeiros, cujo aumento tem uma motivação objetiva:
quanto mais deles houver na sala de aula, maior é a chance
de uma universidade surgir no topo dos novos rankings de ensino.
De uma dezena de indicadores, esse está entre os que mais
ganharam peso nos últimos anos. O cenário é
melhor ainda para os brasileiros, segundo informa Thais Pires, do
Centro de Orientação para Estudos nos Estados Unidos,
um escritório no Brasil reconhecido oficialmente pelo governo
americano: "Já existe uma grande concentração
de asiáticos nas universidades americanas. É o momento
de atrair mais gente da América Latina". Ela se juntou
a outros especialistas e a um grupo de sete brasileiros que estudam
em universidades como Yale, Harvard e Stanford para destrinchar
o passo-a-passo do processo de admissão dessas escolas. O
resultado é um valioso conjunto de dicas para quem planeja
se candidatar.
Exames de admissão
O que dizem os manuais: é preciso alcançar pontuação
alta naquelas provas que aparecem como pré-requisito, entre
elas o SAT, feito para aferir o nível dos estudantes em matemática,
leitura e escrita (em inglês), e o Toefl – esse, aplicado
com o objetivo de medir o domínio que os candidatos estrangeiros
têm do idioma
Como funciona na prática: embora as boas universidades não
definam uma nota de corte, a experiência mostra que, num exame
como o SAT, é raro um estrangeiro ser aprovado com menos
de 2 100 pontos, de um total de 2 400. No Toefl, é realista
sonhar com uma vaga a partir de 90 pontos, de 120 possíveis.
Para quem não conseguir chegar a tais patamares, é
indicado tentar de novo – e não perder tempo submetendo
às universidades um mau resultado
Dica: comprar livros que contenham simulados das
provas e repeti-los à exaustão
Histórico escolar
O que dizem os manuais: só os bons alunos
entram
Como funciona na prática: as universidades miram aqueles
estudantes cujo boletim ao longo de todo o ensino médio revele
médias em torno de 9 em todas as disciplinas – numa
escala de zero a 10
Dica: a única chance para quem quer entrar
em uma dessas universidades é começar a estudar muito
desde cedo – não apenas no último ano.
Cartas de recomendação
O que dizem os manuais: são exigidas três
cartas, duas escritas por professores e uma pelo diretor do último
colégio em que o aluno estudou
Como funciona na prática: essas cartas
devem incluir não apenas observações acadêmicas
como também apreciações sobre a personalidade
e o caráter do aluno, todas devidamente ilustradas com exemplos
concretos. Os avaliadores costumam desprezar adjetivos sem fundamento
e duvidar de candidatos cuja descrição se aproxime
da perfeição
Dica: quase 60 000 cartas como essas chegam às
boas universidades por ano, portanto a concisão é
bem-vista. Cartas em inglês elementar também podem
espantar os avaliadores. Vale a pena contratar um tradutor.
Formulário de aplicação
O que dizem os manuais: o candidato deve preencher
um formulário com informações pessoais e experiências
acadêmicas
Como funciona na prática: com base em tal formulário,
os avaliadores saberão, por exemplo, se o candidato participa
de atividades voluntárias ou se ocupou lugar de liderança
na escola, dois dos itens mais valorizados pelas instituições
Dica: nas questões sobre o porquê
da escolha daquela universidade, seja o mais específico possível
e demonstre conhecer bem a escola. Os avaliadores odeiam generalidades
Tudo por uma boa redação
Nenhuma outra fase da seleção permite ao aluno se
diferenciar tanto quanto a redação, em que as universidades
pedem de dois a três textos sempre de teor pessoal. Durante
essa etapa, o trabalho de gente como a especialista Patrícia
Monteiro passa a ser mais requisitado, ainda que custe caro: sua
consultoria para orientar os alunos e revisar seus textos sai por
7 000 reais. Ela dá dicas para uma boa redação:
1 O tom não deve ser informal demais, a
ponto de conter gírias, nem rebuscado, sob o risco de ficar
pedante
2 É fundamental que as informações
incluídas no texto sejam coerentes com o restante do material
enviado à universidade. Não dá para se revelar
sedentário no formulário e mostrar admiração
por esportes na redação
3 Não se defina como alguém próximo
da perfeição. A autocrítica é entendida
como um sinal de maturidade
4 Se participou de uma ONG ou foi capitão
de uma equipe de futebol, esse é um bom espaço para
enfatizar tais experiências – elas agradam aos avaliadores
Nota: O Colégio Integrado Jaó ajuda seus
alunos na busca por oportunidades como essas no exterior. Para tanto
temos forte relacionamento com escolas, institutos tecnológicos
e universidades de vários países.
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